Projeto Acalento pretende aumentar o número de apadrinhamento afetivo de crianças e adolescentes


O local e dia já foram definidos para o próximo chamamento público da comunidade em geral

Desenvolvido pela Diretoria de Proteção Social Especial de Alta Complexidade, da Secretaria de Assistência Social e Habitação, e com o apoio do Poder Judiciário, o Projeto Acalento foi lançado em agosto do ano passado e visa oferecer melhores condições para o desenvolvimento pessoal, emocional e social de crianças e adolescentes que vivem nas unidades do Serviço de Acolhimento Institucional de Lages e que têm remotas ou nulas chances de retorno à família de origem ou de colocação em família substituta, através de guarda, tutela ou adoção.

Atualmente, entre indivíduos e famílias, pessoas físicas e jurídicas, ao todo são 25 cadastros na rede de apadrinhamento, divididos entre padrinho/madrinha afetivo, prestador de serviços e provedores. Com o intuito de fortalecer essa iniciativa, no dia 23 de maio, às 19h, na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Lages, haverá um encontro com a equipe responsável pela execução do Acalento e a comunidade para explicar sobre o surgimento do Projeto,  objetivos, formas de participação e funcionamento do Serviço de Acolhimento Institucional, o qual possui atualmente cerca de 40 crianças e adolescentes divididos nas duas unidades em Lages, uma no bairro Guarujá e outra no bairro Santo Antônio.

Segundo a psicóloga e coordenadora técnica da Diretoria de Proteção Social Especial de Alta Complexidade, Ana Maria Pavão Silva, além de garantir o que é obrigação do Poder Público, como o direito à educação, saúde e alimentação, o principal objetivo do Acalento é complementar essa função, proporcionando novas possibilidades para os acolhidos construírem novas histórias através de experiências de vínculo, afeto e amor junto aos padrinhos e madrinhas.

O padrinho/madrinha afetivo

O Projeto é voltado para pessoas físicas maiores de 21 anos de idade e que não possuam interesse definido para o momento em adoção ou termo de guarda. É aquele que visita regularmente a criança ou adolescente, buscando-a/o para passar os finais de semana, feriados ou férias escolares em sua companhia, proporcionando-lhe a promoção social e afetiva, revelando possibilidades de uma convivência familiar e comunitária saudável que gerem novas experiências aos acolhidos.

Requisitos

Possuir no mínimo dez anos de diferença em relação ao afilhado, realizar o preenchimento da ficha de inscrição, apresentar documentação necessária, não possuir registro junto ao Cadastro Único Informatizado de Adoção e Abrigo (Cuida) e participar da capacitação introdutória.

Outras modalidades

Padrinho/madrinha prestador de serviço: Voltada para pessoas físicas e/ou jurídicas maiores de 18 anos de idade. É aquele que se cadastra para atender às crianças e/ou adolescentes conforme sua especialidade de trabalho, tais como médicos, enfermeiros, dentistas, professores de dança, música, artes, entre outras áreas.

 

Padrinho/madrinha provedor: Também voltada para pessoas físicas e/ou jurídicas maiores de 18 anos de idade. É aquele que oferece suporte material e/ou financeiro às crianças ou adolescentes, seja com doações de materiais que supram suas necessidades diárias ou através de patrocínio de cursos profissionalizantes, apoio pedagógico, prática esportiva e até mesmo contribuição mensal em dinheiro.

Em qualquer uma destas modalidades, o cadastro deve ser solicitado na Secretaria de Assistência Social e Habitação, localizada ao lado da Praça João Ribeiro (Praça da Catedral), 37, Centro.

 

O que dizem ospadrinhos/madrinhas sobre o Acalento

 

– Maryana Koech Ramos Rosa (22 anos)

“O meu fator motivacional para participar do Projeto foi a busca de conhecimento e de afetividade. Num primeiro instante não sabia muito bem o que esperar, quem seriam os nossos afilhados e se teria afilhado para todos. Pensei que logo no início fôssemos construir o nosso vínculo, mas não foi bem assim. Isso acontece aos poucos, no dia a dia. No segundo encontro, quando fui buscar minha afilhada no Acolhimento, já conseguimos dialogar mais. Fiquei muito emocionada quando ela me chamou de dinda pela primeira vez. Eu e ela não somos apenas madrinha e afilhada, somos amigas, companheiras. Ela pode contar comigo para o que for necessário, tanto neste período do Acolhimento, como posteriormente.”

– Denise Anselmoe Pedro Paulo Rosa de Liz (42 anos)

Denise: “Conheci o Acalento através de uma propaganda e logo pensei que fosse sobre adoção. Nós não conhecíamos a realidade de um Acolhimento, então decidi saber mais sobre o estilo de vida destas crianças e dos adolescentes e como eu poderia colaborar. A cada etapa do Projeto ficávamos ainda mais ansiosos, pois era tudo novo para nós. É muito diferente do que pensávamos. Depois da prática, tudo se torna ainda mais interessante. Foi um início tranquilo. Mas tinha aquela coisa, não sabíamos o que conversar. Mas aos poucos tudo começou a fluir naturalmente. O momento mais marcante foi quando ela dormiu na nossa casa e no dia seguinte, quando eu acordei, ela estava dormindo bem tranquila. Fiquei bastante emocionada porque eu pude perceber que ela de fato estava se sentindo acolhida ali. Como nós temos vários amigos, nós a levamos nas atividades em grupo.”

Pedro: “Como nós não temos filhos, tem sido muito especial ser solidário com alguém. É uma realização. Nos primeiros encontros e reuniões do Acalento, pegamos a carta e conhecemos a história dela, parece que foi tudo planejado para sermos padrinho e madrinha dela. Esse Projeto vale a pena e é muito gratificante. Assim como têm pessoas que precisam, têm pessoas que podem ajudar. Então, podem encarar esse Projeto de frente que é maravilhoso.”

Aline dos Reis Oliveira (27 anos)

“Além de gostar de crianças, sempre quis me envolver com atividades diferenciadas. Assim que conheci o Acalento, através do jornal, fiquei emocionada e ansiosa pra saber como tudo aconteceria. Isso despertou curiosidade nos meus amigos, inclusive, já tem um deles que também faz parte. Penso que será um tempo de aprendizado de ambas as partes. O primeiro encontro foi bem difícil, não sabia muito bem o que falar. Conforme os dias foram passando, fomos estabelecendo laços de confiança e amizade. Minha família reside em outro Estado, mas quando a minha mãe esteve em Lages, ela conheceu os meus afilhados, uma menina e um menino. Pelo fato de serem irmãos, não teria como ser madrinha apenas de um. Assim, eles possuem as mesmas oportunidades de vivências. Os meus amigos até sentem falta quando eles não estão comigo nas atividades de lazer. Pra mim já é como se eu fosse mãe.”

O que é o Serviço de Acolhimento Institucional

De acordo o Caderno de Orientações Técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes (2009), o Serviço de Acolhimento Institucional oferece acolhimento provisório para crianças e adolescentes afastados do convívio familiar por meio de medida protetiva, em função de abandono ou cujas famílias ou responsáveis encontram-se temporariamente impossibilitados de cumprir sua função protetiva, até que seja viabilizado o retorno ao convívio com a família de origem ou, na sua impossibilidade, encaminhamento para família substituta. Os Serviços de Acolhimento devem ter aspecto semelhante à de uma residência e oferecer condições acolhedoras com padrões de dignidade. Deve ainda, ofertar a convivência familiar e comunitária, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Constituição Federal.

 

Fotos: Daniel Costa

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